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HORAS DE INTERLAGOS DE 1974 - REVANCHE DOS OPALA Por
Carlos de Paula Segundo
vimos antes, a primeira “temporada” de Divisão 1 fora um tremendo sucesso,
embora não tenha havido campeonato. Com corridas em São Paulo e Tarumã, as
disputas atraíram bom público e interesse, em grande parte pela “briga”
entre os Ford Maverick e Chevrolet Opala. O Opala
há anos desfrutava de grande sucesso no Brasil, pois o único carro que
potencialmente podia ameaçá-lo nas pistas daqui era o Dodge Charger/Dart. Este,
entretanto, não se adaptou aos autódromos brasileiros,
e o novato Maverick acabou dando uma lavada no Opala, ganhando todos os
confrontos entre as duas marcas na Divisão 1 de 1973,
inclusive a badalada “Mil Milhas”, aberta para carros da Divisão 3 e a
primeira edição das 25
Horas. Essa é
a história mais visível. O subtexto era o uso do motor 302 V8 nos Maverick de
corrida, de fato, um motor importado dos Estados Unidos, que era oferecido como
“opcional” para os compradores do Maverick. Ou seja, além de ter uma
vantagem de cilindrada mesmo no motor normal, o modelo da Ford tinha um motor
especial, pelo menos sob a ótica do pessoal da GM, mas que fora devidamente
homologado pela CBA no ano anterior. Era a
primeira vez, desde os idos de 1966, que fábricas se interessavam em confronto
direto nas pistas brasileiras. É certo que a Ford já apoiava a Fórmula
Ford, mas esta era de fato uma categoria monomarca. Na Divisão 1 havia
disputa, e ferrenha, entre os carros de duas marcas. Opala
250 S - Triunfo na estréia - depois as coisas complicariam Na
primeira prova de Divisão 1 do ano ficara clara a desvantagem dos Chevrolet.
Nos 1000 km de Brasília, o primeiro Opala no grid ficou em 9o. lugar,
e apesar da superioridade numérica dos produtos da GM, o Opala melhor
classificado chegou em nono: curiosamente, pilotado por um tal Arui de Souza, e
um certo Nelson Souto Maior (ou seja, Nelson Piquet, que se
revelaria na Supervê
naquele ano e se tornaria tri-campeão
mundial). Devido
ao insucesso do Opala, algo precisava -
e já estava - sendo feito. A GM
resolveu preparar o seu próprio motorzão, que denominou 250-S. A GM tentara
inscrever um carro com esse motor já em Brasília, com Jan Balder e Fausto
Dabbur, mas a CBA vetou a intenção, alegando que o motor não estava à
disposição do público, e, portanto, feria uma parte vital do regulamento da
D-1. A GM resolveu adotar uma “equipe semi-oficial de fábrica”, no mesmo
molde que a Ford fizera com Grecco e a Mercantil Finasa Ford. A equipe seria a
Itacolomy-Safra, que contava, entre outros, com Bob Sharp em seu elenco de
pilotos. Como não se conseguira a aprovação do motor na moleza, obteve-se um
mandado se segurança, que permitiu a Itacolomy alinhar quatro carros com o
motor especial. Acontece
que mesmo com o 250-S, o Opala só desenvolvia 179 HP, contra 195 to 302 V8. E a
Ford prometeu mais: o equipamento Quadrijet, com carburador quádruplo, coletor
de admissão em liga de magnésio, etc etc., que elevaria a sua cavalaria para
255 HP!!! Coitados dos Opalas! A Ford tentou alinhar Quadrijets nas 25 Horas,
mas esta fora a sua vez de ter pedido indeferido pela CBA. Assim, as 25 Horas
teriam o 250 S, mas não o Quadrijet. A
Itacolomy também contava com uma forte equipe de pilotos, e no seu carro
principal, Wilson Fittipaldi Jr., que voltava a morar no Brasil para construir
seu Copersucar F-1, Ingo Hoffmann e o “boss” da Itacolomy, Reinaldo Campello
di Lucca. Além disso, também contava nos seus quadros com Edgard Mello Filho,
Ney Faustini, Bob Sharp e Amandio Ferreira. Os
Maveri O grande
concorrente da Itacolomy nas 25 Horas seria a Mercantil Finasa Ford, cujo carro
principal era pilotado por Paulo Gomes/Antonio Castro Prado e Paulo Martinelli,
além de Bird Clemente e Marivaldo Fernandes em outro carro. Entretanto, embora
a sorte tenha sorrido para Grecco demais no ano anterior, nessas 25 horas durou
só 4 horas e meia. Assim que o trio formado por Wilsinho/Ingo/Campello ganhou a
disputa com certa facilidade, apesar de passar em 11°
na primeira volta. De fato, só lideraram, além do trio vencedor, os Opala de
Edgar Mello Filho e de Ney Faustini/Amandio Ferreira/Anesio Hernandes, também
da Itacolomy, e o Maverick da Manah, com Arthur Bragantini/Tite Catapani e Mário
Pati Jr. Bela
estréia da Alfa 2300 com o sugestivo número 33. Infelizmente, a sua categoria
seria transformada para abrigar o Dodge 1800, e a Alfa ficou fora das corridas
no Brasil De
novidade, além do 250S, a positiva estréia da Alfa Romeo 2300 nas pistas
brasileiras, com o alfista Mario Olivetti/Murilo Pilotto e Elton Rohnelt. O trio
carioca fez excelente figura, chegando em 6°
lugar, na frente de diversos Maverick e um Opala. Ganhou com facilidade a Classe
B. A Classe A foi ganha por Jose Julião Neto/Arturo Fernandes e Oswaldo
Carajelecow, com uma Brasília, seguida de um Volkswagen TL de Cláudio
Cavallini/Ricardo Mansur e Orlando Lowecchi Fo. Esta foi a melhor corrida de um
TL no automobilismo brasileiro. Como na primeira edição das 25 Horas, diversas
figurinhas carimbadas de outrora participaram da corrida. Destaque para
Waldomiro Pieski, corredor de DKW nos anos 60, que correu com um Chevette, e
Fritz Jordan, que compartilhou um Maverick com Lian Duarte e Totó Porto. Apesar
de não haver protestos, o trio da Itacolomy só foi declarado vencedor após
reunião do Conselho Técnico Desportivo Nacional, que acabou confirmando a vitória
do 250 S – e a homologação do Quadrijet! A saga continuaria... Resultado
das 25 Horas de Interlagos de 1974 Percurso:
2969,225 km, 373 voltas Média
Horária: 118,769 km/h Melhor Volta Wilson Fittipaldi Júnior, Opala 250 S, 3m46.2s
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