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Lembre-se sempre de dizer que viu na Brazilian Yellow Pages.
PILOTOS
ESTRANGEIROS NAS TEMPORADAS BRASILEIRAS DE 1970 A 1972 Por
Carlos de Paula Até
atingir o sonho de ser incluído no calendário mundial da F-1, em 1973, o
Brasil realizou uma série de torneios internacionais de diferentes categorias,
para comprovar à FIA a capacidade organizacional local. Os organizadores foram
aprovados e Interlagos reconhecido como autódromo de categoria
internacional,embora Tarumã tenha queimado seu filme com o acidente fatal que
envolveu Giovanni Salvati em 1971, em prova de F-2. O
primeiro torneio foi o de Fórmula Ford, em 1970, seguido da Copa Brasil para
Protótipos, no final de 1970, do Torneio de F-3 no início de 1971,
do Torneio de F-2 no fim de 1971,
do primeiro GP de F-1, em 1972
(extra campeonato), da prova 500 km de Interlagos de 1972,
do Torneio Brasileiro de F-2 em 1972
e da Copa Brasil de 1972. Além disso, houve participação estrangeira nas Mil
Milhas de 1970. É
curioso comentar sobre alguns dos pilotos que agraciaram as nossas pistas neste
período: alguns vieram a obter muito sucesso no automobilismo mundial, uns como
pilotos, outros como chefes de equipe. Outros ficaram conhecidos por outras razões.
E muitos não viriam mais a correr no Brasil, após a introdução no país no
calendário oficial. Diversos
pilotos de várias nacionalidades participaram do torneio de F-3
de 1971. Um dos que menos se destacou acabou se tornando o mais famoso de
todos: o australiano Alan Jones. Na Europa desde 1970, Alan era muito
perseverante e corajoso, e isso o levou ao título mundial de 1980. No começo
da sua carreira, poucos dariam um tostão para Alan. No Brasil correu com um
Brabham e geralmente esteve entre os últimos ou abandonou. Só começou a ser
notado na F-3 a partir de 1973, chegando à F-1 em 1975. Eventualmente ganhou 12
GPs, e abandonou a F-1 após 1981. (Tentou voltar duas vezes, em 1983 e 1985,
ambas tentativas mal sucedidas). Outro
futuro campeão por cá esteve, mas que na época parecia fadado ao cemitério,
foi James Hunt. Hunt era tão propenso a acidentes, que o seu apelido era
James Shunt (acidente). James correu na temporada brasileira de
F-2 de 1972, já com o seu patrono Hesketh, e embora tenha tido uma atuação
discreta, em 1973 foi o furor da temporada de F-1, deixando muita gente de
pedigré a ver navios. Quase ganha o GP dos EUA, com um mal quisto March. Hunt,
como Jones, abandonou a carreira cedo, com a diferença de nunca ter tentado
voltar. Ganhou 10 GPs, e foi campeão em 1976. Foi comentarista da TV inglesa
durante muitos anos, mas morreu cedo, em 1993, do coração, devido a sua vida
de excessos na juventude. Não há
dúvida que quase todos os pilotos sonham em ser campeões de Fórmula 1, e não
em ser conhecidos pela sua perícia
na condução de carros esporte. Bob Wollek nem chegou na F-1 – grande
injustiça. Na F-2 demonstrava ser um piloto de categoria – mostrando um pouco
desta aqui no Brasil, nas temporadas de 1971
e 1972. Mas a partir de
1974, passou a se concentrar em carros esporte. Foi tão bom que seu apelido era
“Brilliant’ (Brilhante), disputando mais de 200 corridas de longa duração
com muitas vitórias, em quase 30 anos de atuação. Apesar de francês, nunca
conseguiu ganhar as 24 Horas de Le Mans, embora tenha liderado e marcado a pole
diversas vezes, e ter sido o piloto que mais segundos lugares obteve na
tradicional prova. Ironia das ironias, encontrou a morte em 2001 andando de
bicicleta em direção à pista de Sebring, na Flórida, já com quase 60 anos
de idade. Alguns
pilotos não nasceram para ser pilotos, e sim, chefes de equipe ou cartolas.
Diversos exemplos: Frank Williams, Ken Tyrrel, Bernie Ecclestone e Max Mosley. O
alemão Reinhold Jöst obteve a sua primeira grande vitória nos 500 km
de Interlagos de 1972,
pilotando um Porsche 908/3. Já corria no mundial de Marcas desde 1969, chegando
a participar da equipe oficial da Porsche, mas foi em 1972 que Jöst começou a
chamar atenção. Durante muitos anos, a Porsche apoiou sua equipe extra-oficialmente,
mas no começo da década de 80, Reinhold decidiu que ele era melhor nos boxes
do que na pista. Foi uma decisão acertada, que levou a duas vitórias seguidas
nas 24 Horas de le Mans, em 1984 e 1985, além de diversas outras vitórias em
campeonatos mundiais, alemães e americanos de protótipos e turismo.
Georg
Loos era um entre
tantos milionários que corriam na Interserie, a versão européia da Can-Am. Só
não era um piloto muito bom. Ainda assim trouxe seu McLaren para a Copa Brasil
de 1972, e ganhou uma corridinha. Decidiu seguir carreira como chefe/dono de
equipe, a Gelo, obtendo muito sucesso no resto dos anos 70, no Mundial de
Marcas e no Campeonato Alemão. Eventualmente, fechou a equipe e desapareceu do
automobilismo.
Já Willy
Kauhsen obtinha melhores resultados do que Loos, pilotando diversos Porsches
na Interserie e no Mundial de Marcas. Veio para o Brasil com um monstruoso
917-Can Am, ganhou uma corrida da Copa Brasil
de 1972, e continuou a pilotar em 1973 e 1974. Em 1975
obteve seu maior sucesso, já como chefe de equipe: a WKRT foi escolhida pela
Alfa Romeo para representá-la disputando o Mundial de Marcas, e ganhou quase
todas as corridas. Infelizmente, Willy mudou de categoria e se deu mal. Passou
para a F-2, contratando entre outros Ingo
Hoffman, e após duas temporadas desastrosas, resolveu disputar a F-1! O
Kauhsen F-1 foi um dos piores carros da categoria na sua história, e
infelizmente, marcou a saída de Willy do automobilismo. Andrea
de Adamich era
um dos poucos pilotos italianos de primeiro time no final dos anos 60 e início
dos 70. Já era considerado um bom segundo piloto na F-1 quando aqui esteve em
1972, na temporada de F-2
e na Copa Brasil. Na primeira, correu com Surtees, obtendo um 4°
lugar, e na segunda com um Alfa Romeo. A Alfa de 3 litros não tinha condições
de bater os Grupo 7 de mais de 7 litros, de Kauhsen, Loos e cia., portanto só
obteve um 2°
e um 3°
lugares. Infelizmente, foi o único piloto ferido no múltiplo acidente causado
por Jody Scheckter, em Silverstone em 1973. Voltou ao automobilismo em 1974, no
Mundial de Marcas, mas nunca mais foi chamado para a F-1. Aposentou-se em 1974 e
virou comentarista e apresentador esportivo. Outros
pilotos da Autodelta estiveram visitando o Brasil entre 1970 e 1972. Carlo
Facceti já corria há algum tempo, quando disputou as 1000 Milhas de 1970
em dupla com Giovanni Alberti. Apesar de seu carro ser o melhor na prova,
foi batido pelos irmãos Diniz com a Alfa GTAm da Jolly.
Facceti fazia parte do time “B” da Autodelta, correndo principalmente no
Campeonato Europeu de Turismo (ETCC), mas às vezes teve chances no Mundial de
Marcas. Fez parte do time principal em 1974, em dupla com De Adamich, e nesse
mesmo ano tentou classificar-se no GP da Itália, com uma Brabham BT42, sem
sucesso. Continuou a correr até meados dos anos 80, especializando-se no
preparo de motores do Grupo C Alba-Giannini. Outro
piloto “B” da Autodelta era Teodoro Zeccoli. Normalmente era escalado
para o ETCC, mas esteve aqui pilotando um protótipo Alfa nos 500 km de
Interlagos de 1972, em
parceria com Giovanni Alberti (ele de novo!). Obteve diversas vitórias
em classe no ETCC, mas nunca ganhou uma corrida na geral. O suíço
Herbert Müller foi muito ativo nos anos 60 e 70, correndo com uma vasta
diversidade de carros. Ganhou algumas edições de Targa Florio, inúmeras
corridas, mas nunca obteve sucesso na F-1. Foi nos carros esporte que Herbert se
deu melhor, e aqui no Brasil, chegou em 3°
nos 500km de 1972, com uma
Ferrari 512. Infelizmente, também encontrou a morte num carro esporte: nos 1000
km de Nurburgring de 1981, prova interrompida devido a acidente, com a vitória
declarada para Nelson
Piquet e Hans Stuck Jr.
A Copa Brasil de 1970 não interessou muitos pilotos estrangeiros, mas dois espanhóis resolveram que valia a pena viajar milhares de quilometros e ver que bicho dava. Um dos espanhóis nem espanhol era: Jorge de Bragation era príncipe, um dos poucos nobres europeus(*) a correr nas pistas brasileiras, e herdeiro do trono da Georgia, na época uma república soviética. O outro espanhol era Alex Soler Roig, que teve algum sucesso em corridas de turismo e esporte, mas cujas tentativas na F-1, entre 1970 e 1972, com Lotus, March e BRM, foram objeto de riso. Os espanhóis vieram munidos de Porsches de mais de 3 litros, e suaram para tentar segurar Emerson Fittipaldi com uma humilde Lola 1.8. Soler Roig também fez parte da armada da BRM que disputou o primeiro GP do Brasil, em 1972, abandonando a corrida e pouco depois se aposentando.
Apesar
do pouco caso dos europeus com a Copa Brasil, duas raridades nas pistas
internacionais vieram ao Brasil: dois Nissan 242Z, com os pilotos japoneses Haruto
Yamagita e Masami Kuwashima. Nessa época os japoneses estavam bem
distantes do automobilismo de ponta, e a escolha dos nipônicos de correr no
Brasil foi certamente curiosa. Entretanto, não rendeu dividendos em termos de
resultados e nem em relações públicas, pois a Nissan só viria a entrar no
mercado brasileiro um quarto de década depois. Uma das grandes promessas do automobilismo mundial em 1970 era David Walker. O australiano tivera muito sucesso na F-F e F-3, e prometia mais para 1971. Já como piloto oficial da Lotus, Walker ganhou muitas corridas, inclusive a prova de Tarumã do Torneio Brasileiro do começo de 1971. Não seria a última vez que o australiano cruzaria o caminho do Brasil. Foi contratado como companheiro de equipe de Emerson Fittipaldi, para 1972 e deu completo vexame: o colega foi campeão com 5 vitórias, e Walker não marcou um único ponto. Mas curiosamente, o seu único posto entre os 6 primeiros(5° lugar) na temporada ocorreu na primeira edição do GP do Brasil, em 1972. Queimou-se para sempre.
Outro australiano que muito prometia era Tim Schenken. Desse, o anuário Motor Racing Year de 1968 dizia “no ritmo em que está indo, será primeiro ministro em 1970”. Infelizmente, não foi primeiro ministro, nem tampouco campeão mundial. Ganhou em todas as categorias, menos na F-1. De fato, queimou-se na F-1 após a fraca temporada na Surtees em 1972, embora tivesse uma última chance(?) com a Trojan, em 1974. Por aqui, Schenken teve boas performances nas temporadas de F-2, correndo na equipe Rondel de Ron Dennis, futuro dono da McLaren. Acabou cartola da federação australiana de automobilismo, após breve período como construtor (sócio da Tiga, com o neozelandês Howden Ganley).
Helmut
Marko era outra
promessa, porém austríaco. Após um início de carreira tímido, Marko
desabrochou em 1971, ganhando as 24 Horas de Le Mans, e o campeonato Europeu de
dois litros. Também estreou na equipe BRM, com o carro mais velho, o P153.
Continuou na BRM em 1972, disputando o GP
do Brasil e chegando em 4°.
A temporada de Marko prometia – continuava a ser escalado no carro mais velho
da BRM, mas frequentemente batia os pilotos dos P180 e P160 nos treinos. Quase
ganha a Targa Florio com Alfa Romeo, chegou em 2°
nos 1000 Km da Austria, com Jose
Carlos Pace, e finalmente fora escalado para correr em um P160 no GP da França.
Marcou o 5°
tempo, de longe o melhor entre as BRM, e corria entre os primeiros, quando um
pedregulho acabou com o seu pneu, corrida e carreira, ferindo-lhe um dos olhos.
Marko seguiu carreira como advogado, eventualmente sendo dono de equipe de F-3 e
F-3000. Poucos
poderiam crer que Lella Lombardi um dia chegaria na Fórmula 1, ao julgar
o seu pífio desempenho nos 500 Km de Interlagos de 1972.
Justiça seja feita, entretanto: o Fiat Abarth de Lella era um dos carros mais
fracos na competição, por isso chegou em 11°
lugar. A partir de 1973, Lella foi progredindo, primeiro na F-3, depois na
F-5000, até atingir a F-1 em 1975. Acabou sendo a única “pilota” a marcar
pontos na F-1, singelo 0,5 ponto no desastrado GP da Espanha de 1975. A carreira
de Lella na F-1 não vingou, mas em protótipos e turismo, sim. De fato foi a
primeira “pilota” a ganhar prova de nível mundial, ganhando três vezes no
Mundial de Marcas entre 1979 e 1980. Morreu de câncer em 1992. Outro
italiano, Gianpiero Moretti, trouxe sua Ferrari 512 para correr nas Mil
Milhas e na Copa Brasil de
1970. Moretti nessa época era mais identificado como
endinheirado italiano, que fabricava rodas e volantes de competição com a
marca Momo, do que piloto sério. Aqui no Brasil, Moretti não teve muito
sucesso, como também não tinha na Europa. Como água mole em pedra dura, tanto
bate até que fura, eventualmente Moretti achou a sua casa, na série IMSA, nos
Estados Unidos, e ganhou um bom número de corridas entre o final dos anos 70 e
fim dos anos 90, frequentemente auxiliado por pilotos profissionais de bom nível.
Entre seus teammates, figurou o banqueiro brasileiro Antonio Hermann. Um dos
obscuros participantes do torneio de F-2 de 1971
foi um francês que mais tarde viria a fazer furor em Interlagos, em 1975 e
1976. Jean Pierre Jarier correu de March, sua melhor colocação um 7°
lugar. Eventualmente Jarier viria a dominar a F-2 européia, em
1973, e quase ganha o GP em Interlagos em 1975. Seu Shadow saiu na pole e
liderou muitas voltas, eventualmente quebrando mas marcando a volta mais rápida.
Em 1976 teve boa atuação novamente, mas sua carreira na F-1 não foi fadada ao
sucesso. O
italiano Giovanni Salvati já estava se tornando um habitué das
temporadas brasileiras. Na temporada de
F-3, no início de 1971, ganhara uma corrida. Voltou no fim do ano para a
temporada de F-2, e começou
com um promissor 5°
lugar. Salvati era uma das esperanças do automobilismo italiano, cada vez mais
desesperançado. Infelizmente, encontrou a morte na etapa de Tarumã do Torneio
de F-2. Curiosamente, outra promessa italiana morrera no começo do ano na
Argentina, Ignazio Giunti. Curiosamente
dois “heróis” estiveram entre os pilotos estrangeiros que aqui correram. David
Purley ficou famoso pela sua tentativa infrutífera de salvar o também inglês
Roger Williamson, do seu capotado March em chamas, no GP da Holanda de 1973. A
Rede Globo transmitiu a deprimente cena no seu programa Fantástico. David
correu na Temporada de F-3 de 1971
e na de F-2 de 1972.
Purley ganhou o título do Campeonato Inglês de Formula Libre Shellsport
(F5000/F1/F2) de 1976, eventualmente construiu seu próprio carro de F-1 (o LEC
de 1977), que foi destruído em terrível acidente. Purley sobreviveu este, mas
acabou morrendo de acidente aéreo anos mais tarde. O outro herói foi Brett
Lunger, americano veterano da guerra do Vietnã, e herdeiro de grande
fortuna nos EUA, que foi um dos pilotos a socorrer Niki Lauda no seu acidente em
Nurburging, em 1976. Lunger correu na Temporada de F-2
de 1972, sem destaque, e esteve na F-1 entre 1975 e 1978, também sem
sucesso. (Arturo Merzario, que também socorreu Lauda, também correu na
temporada de F-2 de 1971)
Obviamente,
estes só são alguns dos pilotos com históricos mais interessantes que
correram nas nossas temporadas intenacionais entre 1970 a 1972. Entre outros,
também participaram Ronnie Peterson, Clay Regazzoni, Mike Hailwood, Jean Pierre
Jassaud, Carlos Reutemann, Jose Dolhem, Carlos Ruesch, Sten Gunnarson, Torsten
Palm, Reine Wissel, Peter Hanson, Mike Keens, Francois Migault, Lionel Noghes,
Paul Blancpain, Carlos Santos, Corrado Manfredini, Albert Pfuhl, Jurg Dubler,
Giancarlo Gagliardi, Spartaco Dini, Tony Trimmer, Claudio Francisci, Barrie
Maskell, Ron Allen, Peter Westbury, Mike Beutler, Graham Hill, Francois Cevert,
Henri Pescarolo, François Cevert, David Morgan, Carlos Salatino, Christine
Beckers, Artur Peçanha, Angel Monguzzi, Freddy Link, Rolando Nardi, Ian Ashley.
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