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Copyright © 2003 Carlos de PaulaNão pode ser reproduzido sem a permissão do autor A EQUIPE HOLLYWOOD Segundo
vimos em outros artigos, o desenvolvimento do automobilismo brasileiro, nos anos
60, ocorreu devido a participação de equipes de fábrica nas corridas.
Infelizmente, a crise econômica pós-revolução de 64 (as políticas econômicas
estabelecidas para estancar o processo inflacionário resultaram em grave recessão)
tragou justamente as três fábricas que investiram ativamente no automobilismo:
a Simca, Willys
e a DKW/Vemag. Em 1967, nenhuma das três existia na forma
original: a Simca fora absorvida pela Chrysler, a Willys comprada pela Ford e os
ativos da DKW comprados pela VW, com a produção dos DKW interrompida no Brasil
em 1967. Esses fatores, acoplados
ao fechamento de Interlagos para reformas, em 1968, criaram uma crise no
automobilismo, que só não se tornou mais aguda devido às equipes Jolly-Gancia
e Ford-Willys, a última criada com os restos da outrora poderosa e volumosa equipe
Willys. O
automobilismo mundial também estava mudando. Embora o patrocínio comercial de
equipes automobilísticas por empresas não relacionadas a automóveis já
fosse praxe nos Estados Unidos há
muitos anos, a prática só foi adotada na Europa a partir de 1968 com o início
do patrocínio da Lotus pelos cigarros Gold Leaf. Em 1970, diversas equipes já
portavam marcas de diversos produtos, por exemplo, colônias Yardley e aditivos
STP, e logo, a fórmula 1 se tornou um grande painel publicitário. E as outras
categorias do automobilismo seguiram o padrão, desde as mais humildes até as
mais importantes.
Porsches da Hollywood dominam em Tarumã, 1971 Como em
questões de automobilismo o Brasil sempre seguiu mais a Europa do que os
Estados Unidos, era raro encontrar publicidade em carros de corrida brasileiros
durante a década de 60. Mas por
volta de 1970, a publicidade, até então corriqueira, passou a ser mais
frequente. E com o sucesso consolidado de Emerson Fittipaldi em
1972, o
automobilismo passou a ser visto com bons olhos pelas empresas. Entre as
primeiras tentativas de formação de equipes profissionais, não relacionadas a
fábricas ou concessionárias de automóveis (como a Jolly e Dacon), encontram-se
a equipe Brahma e a Hollywood. A primeira teve existência efêmera, organizada
por Norman Casari e baseada no Rio de Janeiro, correndo com uma Lola T-70 e protótipos
construídos por Casari e Renato Pexioto. A segunda, além de ter existência mais longa, teve
muito mais sucesso. Os
pilotos Francisco Lameirão e Ricardo Aschcar tiveram a idéia de formar uma
equipe patrocinada pelos cigarros Hollywood, cujos logos apareceriam em dois
protótipos Huron, a serem importados da Inglaterra. Em retrospectiva, a idéia
teria sido mal sucedida, pois os carros Huron nunca foram competitivos, nem na
Europa e nenhum outro lugar. Portanto, pelo menos para a Hollywood e para Lameirão,
o fato de Luis Pereira Bueno e Anisio Campos terem também abordado a Souza Cruz
foi bem melhor. Para Aschcar o caso foi outro... Assim formou-se a Equipe Z, que entre 1971 e
1976 foi patrocinada pelos Cigarros Hollywood. Porsche 908/2 da Equipe Hollywood O
primeiro ano da Hollywood foi auspicioso. Campeã e Vice do Campeonato
Brasileiro de Protótipos, com Lian Duarte e Francisco Lameirão,
respectivamente, ganhou diversas outras corridas, não válidas para o
campeonato, com Luis Pereira Bueno e um Porsche 908/2, de longe o melhor carro
do Brasil na época. Na recém formada Fórmula
Ford, Lameirão ganhou 3 das
quatro corridas, batendo um forte contingente de gaúchos, além de Pedro Victor
de Lamare. Em 1972,
segundo ano de operação da Hollywood, o Porsche 908-2 continuou a vencer,
levando facilmente o campeonato de protótipos, e ganhando diversas corridas
extra campeonato. Lameirão saira da equipe, que agora contava com Tite Catapani
de coadjuvante nos protótipos, com uma Lola T210 2 litros, e com Alex Dias
Ribeiro e José Lotfi na Fórmula
Ford. Catapani ganhou uma corrida em volta do
Mineirão em Belo Horizonte, e acompanhou Luis Pereira Bueno na mais importante
aventura internacional da Hollywood, uma participação nos 1000 km da Áustria,
prova do Campeonato Mundial de Marcas. O Porsche tinha sido levado para uma
revisão na fábrica, e aproveitaram a ocasião para correr em Zeltweg. O carro
se classificou em 7°
nos treinos mas não terminou a prova. Logo foi despachado para o Brasil, onde
foi batido pelo Porsche de Reinhold Joest nos 500 km de Interlagos. O ciclo do
908/2 terminaria logo, pois o governo brasileiro proibira a importação de
carros de corrida ou participação de carros 100% importados nas corridas
nacionais a partir de 73(*) Na F-Ford, Alex Ribeiro ganhou duas corridas, mas o
campeonato foi ganho pelo gaúcho Clovis de Moraes. Luis Pereira Bueno também
preparou um Opala 4.1 para correr na Divisão 3, onde, quem levou a melhor foi
Pedro Victor de Lamare, apesar de Opala Hollywood ter obtido uma vitória.
Opala de Luizinho Pereira Bueno, Divisão 3
74 foi
um ano esquisito para o automobilismo brasileiro, de modo geral, causado pela
conjuntura econômica e crise do petróleo. As corridas eram mal vistas, desperdício de
dinheiro e petróleo, e quase foram canceladas, mas a situação se normalizou
no segundo semestre. A Hollywood havia preparado, com Orestes Berta, um Maverick
de Divisão 3, que ganhou com autoridade os 500 km de
Interlagos, mas perdeu o
campeonato para Edgard Mello Filho, que ganhou na regularidade. Na F-Ford, só
deu Hollywood, agora alinhando com três gaúchos: Clovis de Moraes, Claudio
Mueller e Enio Sandler. Clovis ganhou todas as cinco corridas, e Mueller foi
vice. Na Divisão 4, classe A, a mesma coisa, só que com Mauricio Chulam, que
conseguiu bater os potentes carros da classe B em uma das etapas de Cascavel.
Chulam também correra na Super
Vê, mas de forma discreta. Naquele ano, a
Hollywood também patrocinou Alex Dias Ribeiro na sua primeira temporada inglesa
de F-3. Berta Hollywood: papa-tudo em 1975 A
Hollywood botou para quebrar em 1975, com o Maverick na Divisão 3; na Divisão
4, um protótipo preparado na Argentina, chamado Berta-Hollywood, ambos
dirigidos por Luis Pereira Bueno; Mauricio Chulam na classe A da Divisão 4; e
Clovis Moraes na Formula Ford. Na Divisão 3, Bueno tinha o melhor carro mas só
ganhou duas etapas. Compensou ganhando 4 corridas na Divisão 4, classe B,
enquanto Chulam levou todas as seis corridas na Classe A. Na F-Ford, Clovis ganhou 4 etapas
e seu terceiro campeonato, aposentando-se no final do ano. Só na Super Ve que a
Hollywood não se firmava, desta feita com Chulam e Catapani, o último correndo
com um Avallone.
Super Ve de Chulam: única categoria na qual a equipe não venceu Em 77,
estava acabada a equipe Z. O orçamento total da Hollywood para o automobilismo
foi investido na aventura de Alex Dias Ribeiro na equipe oficial da March, na Fórmula
1, que não rendeu frutos. Até hoje a Hollywood patrocina equipes, tendo
recentemente investido nas fórmulas CART e IRL nos Estados Unidos,
especificamente com Mauricio Gugelmin e Felipe Giaffone. Entretanto,
a contribuição da Hollywood, na época foi imensa. A Souza Cruz usou, sempre
que pode, o seu patrocínio da equipe em campanhas publicitárias, estabelecendo
um padrão até então inexistente na publicidade brasileira. Do ponto de vista
organizacional, a Hollywood primava por preparo sério dos carros, embora,
francamente, em alguns casos não houvessem concorrentes qualificados para a
equipe, como no caso do 908-3 e do Hollywood Berta. (*)
Entretanto, enquanto persistiu a Divisão
4, correram alguns híbridos
interessantes nas pistas brasileiras, como um Alfa-Romeo T33 com motor Maverick,
Ford GT 40 com motor Maverick, Protótipo Royale com motor Chevette, além dos
Kaimann de Formula Super Ve, e alguns Merlyn de F-Ford que tinham permanecido no
Brasil, depois da temporada de F-Ford de 1970. O próprio Berta-Hollywood era
metade brasileiro/metade argentino, embora o motor Maverick tenha sido preparado
na Argentina por Berta. OUTROS ARTIGOS DE AUTOMOBILISMO DE AUTORIA DE CARLOS DE PAULA AUTOMOBILISMO BRASILEIRO - ANTES DE 1970 GALERIA DE PILOTOS BRASILEIROS QUE CORRERAM NO EXTERIOR CAMPEÕES DO AUTOMOBILISMO BRASILEIRO CURIOSIDADES DO AUTOMOBILISMO BRASILEIRO BRASIL - COMEÇO DO CELEIRO DE PILOTOS - 1966-1971 RESULTADOS DO TORNEIO BRASILEIRO DE F-2, 1971 RESULTADOS DO TORNEIO BRASILEIRO DE F-2, 1972 1972 - CONSAGRAÇÃO DO AUTOMOBILISMO BRASILEIRO VENCEDORES DE CORRIDAS NO BRASIL SCHUMACHER: É O MELHOR DA HISTÓRIA? EQUIPE HOLLYWOOD - COMEÇO DO PATROCÍNIO COMERCIAL CHEVROLET OPALA NAS COMPETIÇÕES BRASILEIRAS MECÂNICA CONTINENTAL - ONDE ELES ESTÃO? PIONEIRISMO DE EMERSON FITTIPALDI FUSCA NAS CORRIDAS BRASILEIRAS MARCOS DO AUTOMOBILISMO BRASILEIRO 25 HORAS DE INTERLAGOS DE 1973
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