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PILOTOS
BRASILEIROS NO MUNDIAL DE MARCAS Por
Carlos de Paula Nos anos
50 o calendário da F-1 era composto de 6 a no máximo dez provas. Havia grandes
lacunas no calendário para provas de alta categoria, e obviamente, os pilotos
classe A ficariam ociosos a maior parte do ano, se só participassem da F-1 (o
que não ocorre com os pilotos de F-1 atuais). Assim que o campeonato mundial de
marcas, composto de provas de longa duração, como as 24 Horas de Le Mans, era
um complemento à principal categoria do automobilismo, a F-1, e às vezes
chegou até a superá-la em prestígio e velocidade. O campeonato, criado em 1953, passou por
diversas mudanças de nome e regulamentos, mas para simplificar as coisas, vamos
chamá-lo de Campeonato Mundial de Marcas. Também passou por alguns períodos
de crise, a última, terminal, em 1992. A
primeira participação brasileira no Mundial de Marcas se deu nos 1000 km de
Buenos Aires de 1955, prova realizada em 23 de janeiro de 1955., e curiosamente,
resultou em uma vitória brasileira em classe. O brasileiro Eduardo Martins correu em dupla
com o argentino Oscar Alfredo Galvez, um
dos principais rivais de Fangio durante a época das carreteras nos anos 40.
Foram os primeiros da categoria Turismo Modificado (ou seja carreteras) correndo
com um Ford V8. Chegaram em 8°
lugar, e completaram 52 voltas (os vencedores Valiente e Ibanez completaram 58
com uma Ferrari). Na frente da dupla sul-americana diversos carros europeus,
inclusive Ferraris, Maserati, Porsche e Gordini. Esta edição dos 1000 km foi
caracterizada pelo grande número de carreteras, de forma que a vitória na
classe de Martins teve um gosto e significado especial. Infelizmente um brasileiro estava disputando a corrida no dia mais negro do automobilismo mundial: as 24 Horas de Le Mans de 1955. Disputando a prova com um Gordini, em dupla com Jacques Pollet, Harmano da Silva Ramos foi um dos últimos a abandonar a corrida, com 145 voltas, e problema no sistema de refrigeração. Diversos brasileiros estavam presentes nos 1000 km de Buenos Aires de 1956. Naquela corrida, ganha pela dupla da Maserati, Stirling Moss/Carlos Menditeguy, três brasileiros participaram. Chico Landi correu em dupla com Gerino Gerini, em uma Maserati 300 S. Classificaram-se em 10o. lugar para a largada (entre 27 participantes) e abandonaram a prova na 68a volta, com problemas no motor. A dupla brasileira Celso Lara Barberis/Godofredo Vianna correu com uma Ferrari 375, largando em 12o. Lugar. Também abandonaram a corrida, na 41a volta, com o mesmo problema de Landi, motor. A próxima
participação ocorreu nos 1000 km de Buenos Aires de 1957, no circuito de
Costanera, no lado oeste de Buenos Aires. Desta vez, diversos brasileiros
participaram. Celso Lara Barberis correu com Eugenio Martins, em uma Ferrari 750
Monza inscrita pela Scuderia Madunina. Largaram em 12o. lugar e
teriam se classificado em 5o na corrida, se não tivessem abandonado
com 91 voltas. O resultado foi notável, pois os quatro primeiros representavam
equipes de fábrica ou semi-fábrica, na sequência Ferrari-Maserati-Ferrari-Jaguar.
O mesmo destino teve a dupla Severino Silva/Pinheiro Pires. Correram com uma
Maserati, também inscrita pela Madunina, e abandonaram na 90a. volta,
devido a um acidente. Largaram em 18o. lugar, e teriam chegado em 7o.,
não fosse pelo abandono. Herminio Ferreira Filho e Godofredo Vianna correram
com uma Ferrari 750 Monza inscrita pelo Automovel Clube de São Paulo. Largaram
em 14o., mas não fizeram mais do que 85 voltas (13 voltas atrás dos
vencedores), mas tiveram a distinção de serem os primeiros brasileiros
oficialmente classificados em uma prova do Mundial: 9o. lugar. Outra
dupla de brazucas correu, a bordo de uma Porsche 1500 cc: os grandes Christian
Heins e Ciro Cayres. O carro abandonou na 45a. volta com problemas no
câmbio. Hermano da Silva Ramos
estava inscrito nos 1000 km de Nurburgring, com uma Ferrari 250 GT, em dupla com
Jean Lucas, mas o carro não apareceu. A edição
de 1958 dos 1000 km continuou a contar com participantes brasileiros. Desta
feita, o melhor colocado foi Antonio Mendes de Barros, que correu em dupla com o
argentino Luis Milan numa Maserati 300S. Chegaram em 7o., e também
largaram em 7o. lugar, completando 98 voltas. Celso Lara Barberis fez
dupla com Eugenio Martins, e correram numa Ferrari 750 Monza. Largaram em 8o.
Lugar, mas abandonaram na 57a volta, com problemas no motor.
Não
houve os 1000 km de Buenos Aires em 1959, mas em compensação, Christian Heins correu nos 1000 km de
Nurburgring, em dupla com Helmut Busch, em uma Porsche Carrera 356A.
Chegaram em 11o lugar na geral, e 2o. na classe GT 1600.
Também nesse ano Da Silva Ramos foi convidado a participar das 24 Horas de Le
Mans na equipe oficial
da Ferrari, correndo em dupla com Cliff Allison, com boas chances de ganhar. Abandonaram na 41a.
volta, com problemas de câmbio. Na mesma corrida, Christian Heins correu em
dupla com o
conde holandês Carel Godin de Beaufort, numa Porsche 718K. Duraram 186 voltas,
abandonando com problemas de motor. A edição
de 1960 dos 1000 km de Buenos Aires foi a última a figurar no campeonato até
1971. A esta altura Fangio já havia se aposentado(embora estivesse inscrito
nesta corrida), Froilan Gonzalez corria muito pouco, e da nova geração de
pilotos argentinos só Bordéu demonstrava algum futuro. E os brasileiros
finalmente conseguiram um bom resultado no campeonato. Os feras Celso Lara
Barberis e Christian Heins correram com uma Maserati 300S, e após marcar o 5o.
tempo na largada, chegaram em 4o. lugar, a 4 voltas dos vencedores
que dirigiam uma Ferrari de fábrica. Outro brasileiro a participar foi Fernando
Barreto, que compartilhou uma Maserati 300S com o argentino Carlos Najurieta,
abandonando a prova. Nas 12
Horas de Sebring deu-se a primeira participação brasileira na tradicional
prova americana. Fritz D’Orey correu com William Shurgis, em uma Ferrari 250
GT, e chegou em 6o. lugar, a treze voltas dos vencedores. D’Orey
tentou acompanhar seu sucesso com uma participação em Le Mans, novamente a
bordo de uma Ferrari. Correria em dupla com o italiano Carlo Mario Abate, mas
acabou tendo um sério acidente, que o deixou 8 meses de cama na França. Chegou-se
a especular que tinha morrido, mas sobreviveu, embora o acidente tenha acabado
com sua carreira. Nos próximos dois anos, 61 e 62, não houve nenhuma participação
brasileira no campeonato. Christian
Heins, frequentemente associado à marca Porsche, com a qual teve diversas vitórias
tanto no Brasil como Europa, aproximara-se da Alpine durante suas idas à Europa.
Tal ligação levou à formação da mais profissional equipe do Brasil na época,
a Equipe Willys, que inclusive adotou um modelo da Alpine e mecânica Renault,
produzindo-o no Brasil com o nome Willys Interlagos. Em, 62 e 63 as Berlinettas
Interlagos simplesmente dominaram o cenário automobilístico brasileiro, mas a
ligação com a Alpine teria um fim trágico para Bino. Bino foi
convidado a participar das 24 Horas de 63, na equipe de fábrica da Alpine. Foi
inscrito no carro 48, formando dupla com o francês Jose Rosinski. Largaram em
33o. lugar e ocuparam as posições intermediárias, até que na
volta 50, Heins estava no lugar errado, na hora errada. O Aston-Martin de Bruce
McLaren jogou muito óleo na pista, e seis carros não tiveram tempo para evitar
o óleo. Alguns tiveram sorte, como Dewez, numa Aston Martin, que rodou diversas
vezes mas conseguiu parar. Salmon, numa Ferrari, e Grossman, num Jaguar,
derraparam mas conseguiram sair ilesos. Mas Roy Salvadori, numa Jaguar, bateu
forte, o carro pegou fogo. Jean Pierre Manzon colidiu com o que sobrara do
Jaguar. O carro de Manzon desintegrou, jogando o piloto para fora, mas este
sobreviveu, machucando-se levemente. Mesma sorte não teve Bino. Tentou desviar
do fogaréu e óleo, acabou batendo em um poste, capotou diversas vezes, e ficou
com carro de cabeça para baixo, em chamas. Assim terminava a vida e carreira do
piloto brasileiro de maior prestígio na Europa no começo da década de 60. Com a
morte de Bino, acabaram-se as participações de brasileiros no Mundial de
Marcas, até a volta dos 1000 km de Buenos Aires, em 1971. Entretanto, foi feita
uma misteriosa inscrição do brasileiro Norman Casari, em dupla com um piloto
português nos 1000 km de Nurburgring de 1968. Nem Casari, nem o português
apareceram. Voltando aos 1000 km de Buenos Aires de 1971, naquela corrida,
Emerson Fittipaldi, que já tinha feito um bom nome com a sua vitória no GP dos
EUA em 70, fora contratado pela equipe Autodelta para correr com uma Alfa-Romeo
em dupla com Toine Hezemans. O carro se acidentou no treino, e Emerson ficaria a
pé, se não fosse convidado por Alex Soler Roig, para correr em um Porsche 917
em dupla com Carlos Reutemann. A dupla largou em 11o. lugar, mas
acabou abandonando a corrida na 43a. Volta, com vazamento de óleo.
O Porsche 917 compartilhado por Carlos Reutemann e Emerson Fittipaldi nos 1000km de Buenos Aires de 1971. Abandonaram Lolinha de Catapani - Nao passou da 4a. volta nos 1000 km de 1972 Com o
campeonato já decidido a favor da Ferrari, esta resolveu inscrever quatro
carros nos 1000 km de Osterreichring. E num deles, foi inscrito José Carlos
Pace, em dupla com o austríaco Helmut Marko. Pace fez boa figura na corrida,
chegando em segundo lugar, na frente dos pilotos titulares Peterson/Schenken.
Mais notável ainda foi a participação do Porsche 908/2 da Hollywood, que
estava na Europa para revisões na fábrica. Com Luis Pereira Bueno e Tite
Catapani, o carro saiu em 7o. lugar, e na largada chegou a
ultrapassar a Ferrari no. 4 de Merzario/Munari. Infelizmente se envolveu em um
acidente e abandonou a corrida no começo, mas não fez feio. Com este Porsche 908/2 a Hollywood participou dos 1000km de Oesterreichring de 1972. Não fez feio.
Rara foto panoramica dos 1000 km da Austria de 1972. Notem os dois carros claros, o Mirage e a Lola numero 9, largaram em 1o. e 2o. A Ferrari n. 1 ja esta fora de visão, as o Porsche brasileiro, nesta foto, está em 4o. lugar, na frente, inclusive de uma Ferrari! A última
corrida do ano foi em Watkins Glen, e Pace acabou contratado por outra equipe, a
Gulf Mirage. Correndo em dupla com Derek Bell, a dupla largou em 3o.
lugar e chegou em terceiro, só atrás de 2 Ferraris. As excelentes atuações
de Pace levaram a Ferrari a contratá-lo para 1973. O ano
muito prometia, mas no final das contas, a Ferrari acabou desapontando. A
Matra-Simca, que em 72 só participara, com vitória, em Le Mans, resolveu
fechar sua equipe de F-1 e se dedicar ao Mundial de Marcas. Não deu de lavada
na Ferrari, como esta fizera com a Alfa-Romeo no ano anterior, mas a Matra
ganhou cinco corridas, contra 2 da Ferrari. E havia sinais de atritos na última.
A equipe correria a maior parte do ano com dois carros, às vezes três. No
carro principal, o par era Jaky Ickx, há anos o principal piloto da equipe, e
Brian Redman. No segundo carro, Pace guiaria com Arturo Merzario. O terceiro
carro seria compartilhado por Reutemann/Schenken. Ickx estava muito
infeliz com o desempenho da Ferrari na F-1 (com razão), e Merzario infeliz com
o tratamento como número dois. O descontentamento ficaria patente em
Nurburgring, quando, na única corrida em que a Matra se demonstrara
incompetente, Merzario quase põe tudo a perder. Com as duas Ferrari na frente,
com muita vantagem sobre o Chevron terceiro colocado, resolve disputar posição
com Ickx. Imaginem a cena dantesca do boxe da Ferrari, fase pré Todt/Brawn, e
antes do emprego de rádio, tentando forçar Merzario a parar na base dos gestos.
Imaginem os gestos! Eventualmente Arturo parou, deu o carro para Pace, e saiu
furioso do autódromo. Sem dúvida, não garantiu o seu futuro na Ferrari, mas não
levou desaforo para casa. Merzario é pequenino, mas peitudo! Pace na Ferrari 312. Seu melhor resultado foi Le Mans, 2o. A
Ferrari não participou das 24 Horas de Daytona, e sua primeira corrida foi em
Vallelunga, ou seja, em casa. E foi batida em solo italiano. Pole de Cevert, e
vitória de Pescarolo/Larrousse. As Ferrari chegaram em 2-3-4, com Pace em 4o.
lugar (largara em 4o.). Os 1000 km de Dijon foram um repeteco: pole
de Cevert, vitória de Pescarolo/Larrousse, com a Ferrari em segundo, só que
desta vez, com Ickx/Redman. Pace/Merzario chegaram em 4o. mas
largaram um posto na frente de Ickx. O
primeiro triunfo da Ferrari ocorreu em Monza. Embora Cevert tenha marcado a
pole, as Ferrari de Ickx/Redman e Schenken/Reutemann conseguiram bater Pescarolo/Larrousse.
Pace/Merzario não estiveram bem na corrida. Largaram em 5o. e
duraram só sete voltas, abandonando com problemas de câmbio. Em SPA,
a Mirage teve seu momento de glória. Seus carros chegaram em 1-2, e Pace/Merzario,
mais uma vez, chegaram em 4o. lugar, a 4 voltas dos líderes. Pace não
participou da Targa Florio, incluída pela última vez no campeonato, e o seu
lugar foi ocupado por Vacarella, piloto-advogado, especialista nas estradas
sicilianas. Foi a última edição da perigossíssima corrida válida para o
Mundial. A próxima
etapa foi Nurburgring, já descrita acima, e ao chegar em Le Mans, o placar era:
Ferrari 2 – Matra 2 – Porsche 2 – Mirage 1. Nada mal em termos de
competitividade, em comparação com o ano anterior quando a Ferrari tinha ganho
todas a esta altura do campeonato. Foi na próxima etapa, em Le Mans, que a
dupla Pace/Merzario fez sua melhor corrida . Merzario marcou a pole e a dupla
liderou diversas horas. No final de corrida, entretanto, era a dupla Ickx/Redman
que ameaçava a hegemonia da Matra. A 30 minutos do final, Ickx abandonou, e a
melhor Ferrari acabou sendo mesmo a de Pace/Merzario, a seis voltas de Pescarolo/Larrousse. A partir
daqui, a Ferrari perdeu o rumo, e as duas últimas corridas para Pescarolo/Larrouse.
Na Áustria, só largaram 18 carros, e Pace/Merzrio só alcançaram o 6o.
posto. Em Watkins Glen, a Ferrari ainda tinha chances, principalmente por que a
1000 km de Buenos Aires ainda não tinha sido oficialmente cancelada. Após seis
horas, a Matra de Pescarolo/Larrousse cruzou na frente de três Ferraris, com
Pace/Merzario em 3o. lugar. A prova argentina acabara cancelada, para
sempre... A
temporada de Pace na Ferrari não foi má. Obviamente, em relação ao que se
esperava da Ferrari, que dominou em 72, foi terrível. Pace se conduziu de forma
profissional, demonstrou ter espírito de equipe, mas acabou aqui a sua história
no Mundial de Marcas, já que a Ferrari resolvera dedicar-se totalmente à F-1
em 1974. Fora a campanha mais bem sucedida de um brasileiro na categoria, até
então. Com a
exclusão permanente dos 1000 km de Buenos Aires desaparecia aquela chancezinha
que os brasileiros tinham de participar da corrida no país vizinho. Mas não
era segredo para ninguém que o Brasil desejava sediar uma corrida deste
campeonato, também. Ja haviam sido realizadas as experiências com a Copa
Brasil de 70 e 72, e com os 500 km de Interlagos de 72. De fato, curiosamente
aparecia no calendário internacional da FIA, publicado no Anuário da FIA de
1972, uma prova internacional de carros esporte, que supostamente seria
realizada no autódromo de Goiânia m 1973. Esta, obviamente, não ocorreu,
entre outras coisas por que o autódromo só foi inaugurado em 1974! Nunca mais
se ouviu falar do assunto.
Pedro
Victor de Lamare era um dos mais bem sucedidos pilotos brasileiros, e resolveu
embarcar em uma aventura internacional, em 1974. Infelizmente, escolheu o carro
e categoria errados. Comprara um March-Cosworth, para participar do campeonato
de protótipos 2 litros, que até 1973 era um campeonato bem disputado. Mas com
a chegada da Alpine-Renault em 74, e a crise econômicageneralizada na Europa, o
campeonato caiu de nível e diversas etapas foram canceladas. E Pedro Victor
acabou passando a maior parte do tempo participando de corridas de clube na
Inglaterra, vencendo algumas. O ponto alto no ano foi sua participação nos
1000 km de Brands Hatch, em dupla com Antonio Castro Prado. O carro largou em 23o.
lugar, nada mal considerando-se que 35 largaram. Na corrida, o motor falhou na
115a. volta, pondo um ponto final na carreira internacional de Pedro
Victor, e na sua carreira de modo geral. 1975 não
foi muito melhor. Nenhum piloto brasileiro foi usado em equipes de fábrica ou
em carros de 3 litros, e o único a se aventurar foi Antonio Castro Prado,
correndo com esquema parecido ao do Pedro Victor. O campeonato de 2 litros foi
sumariamente cancelado, após duas provas, pois diversos circuitos cancelaram
suas corridas. Assim, restou a Castro Prado correr no Mundial, com um March 2
litros, carro que tinha poucas chances de bater o Chevron e o Lola na categoria.
Sua primeira corrida foi em Spa, onde correu em dupla com Ray Johnson (o português
Mario Cabral também fora listado como piloto do carro, mas não correu). O
carro 31 marcou o 18o. tempo, mas abandonou a prova, com problemas na
parte elétrica. Nos 1000 km de Nurburgring, o parceiro de Prado foi Mario
Cabral, e apesar de marcarem o 31o. tempo (61 carros largaram),
abandonaram a prova de novo, sofrendo acidente na 28a. Volta. A
equipe não participou de Le Mans, que de qualquer forma não fazia parte do
campeonato, e voltou à ativa nos 1000 km de Osterreichring. Lá Castro Prado
teve o austríaco Hans Binder e Alan Stubbs como parceiros. Nos treinos
conseguiram ser bem mais rápidos que os mais experientes companheiros de equipe,
Cabral/Lunger, largando em 16o. lugar, mas na corrida, mais um
abandono, na 68a. Volta. Assim acabou a temporada de Castro Prado,
pois a equipe não teve condições de viajar para Watkins Glen. O piloto ainda
faria algumas corridas de Fórmula 2 no final do campeonato, sem sucesso.
Curiosamente, após ganhar o campeonato de Fórmula VW 1600, em 1980, Castro
Prado cogitou de fazer algumas corridas de F-1 com um Williams privado em 1982.
Não passou do plano, pois
faleceu em acidente em Cascavel em 1981.
Passaram-se
alguns anos, após 1975, até que outro brasileiro participasse do Mundial de
Marcas. O campeonato mudara de configuração. Os protótipos de 3 litros sempre
foram escassos, poucos carros corriam, e os grids sempre tinham de ser
completados com carros GT, Turismo e 2 litros, frequentemente com pilotos sem a
mínima qualificação. A FISA acabou estabelecendo a Fórmula Silhouette, que
iniciaria em 1976, esperando a participação das fábricas, mas no fundo, esta
foi um fracasso tão grande, ou maior, do
que os protótipos de 3 litros. A Porsche simplesmente dominou desde o princípio
no G-5, e no final da era Silhouette (Grupo 5), os grids voltaram a ser uma patética
aglomeração de carros turismo, GT, Grupo 6 e 2 litros. Entretanto, durante a
fase Silhouette, em 1978, um trio de brasileiros decidiu correr nas 24 Horas de
Le Mans. Embora não fizesse parte do Mundial de Marcas daquele ano, o feito
merece inclusão neste artigo, devido ao sucesso da empreitada. Alfredo Guaraná
Menezes e Paulo Gomes, dois dos melhores pilotos da época, e Mario Amaral,
alugaram um Porsche 935 da equipe de Henri Cachia, com patrocínio da Sul Fabril
e outras empresas brasileiras. Após uma corrida regular, o trio brasileiro
chegou em 7o. lugar, e 2o. lugar no Grupo 5. O fato é
interessante por que muitos Porsche 935 participaram da corrida, mas os brazucas
foram os terceiros entre os 935, batendo inclusive o velocíssimo 935 Moby Dick
da fábrica, com Rolf Stommelen e Manfred Schurti. Paulo Gomes, ALfredo Guarana e Mario Amaral: 7o. em 1978 Foi
nessa última fase do campeonato “Silhouette” que se deu a primeira
participação de Nelson Piquet no campeonato. A esta altura, Piquet já tinha
iniciado sua longa associação com a BMW, e estava participando o campeonato
Procar, para carros BMW M1, que corriam em provas preliminares da F-1 (ganharia
o campeonato no fim do ano). Assim acabou sendo inscrito num BMW M-1 nos 1000 km
de Nurburging, com Hans Joachim Stuck. A dupla marcou o 6o. tempo
geral, e chegou em 3o. lugar, sendo batida por um Porsche 908/4 e por
um Porsche 935 Kremer, dois concorrentes fortes. Com o resultado, a dupla ganhou
a classe IMSA GTX/GTP, uma das diversas classes implementadas. A próxima
participação de Piquet ocorreu na mesma corrida, no ano seguinte. Já
vice-campeão do mundo, a participação de Piquet no Mundial de Marcas era algo
especial. Naquela época era raro ver pilotos ativos de Fórmula 1, muito menos
os bem sucedidos, correndo neste campeonato, algo que era norma nos anos 50 até
70. A corrida de Nurburgring foi triste, entretanto. O veterano Herbert Muller,
que há muito abrilhantava o automobilismo com sua participação, morreu em
terrível acidente ao chocar-se com um Porsche 935 que já queimava (Este é o
mesmo Herbert Muller que chegou em 2o. nos 500 km de Interlagos de
1972, com uma Ferrari 512). A corrida foi interrompida com 17 voltas (lembre-se,
ainda era o Nordschleife), pois o asfalto derretera no local do acidente. E
Piquet/Stuck, que estavam na frente naquela hora em que os principais
concorrentes estavam nos boxes, foram declarados vencedores. A dupla largou em 5o.
e provavelmente não teria ganho se a corrida chegasse aos 1000 km. Seja como
for, deu-se assim a primeria vitória de um brasileiro no Campeonato Mundial de
Marcas. A vitória não animou Piquet a seguir carreira na categoria, mesmo
porque nesse ano se tornaria campeão mundial de F-1, e decerto Bernie
Ecclestone não desejaria que o seu principal piloto se arriscasse a troco de tão
pouco. Mais tarde, Piquet participaria de provas de longa duração, inclusive
Le Mans, após aposentar-se da F-1 e após o fim do Mundial de Marcas na concepção
original. Também foi um dos que mais apoiou a volta de provas de longa duração
no Brasil. Em 1982,
foi a vez de Raul Boesel estrear no mundial. Correu com um Dome na etapa de
Silverstone, compartilhando o carro com Chris Craft e Eliseo Salazar. O carro
era fraco, e abandonou com 116, com problemas de pressão. Uma estréia nada
auspiciosa para aquele que seria nosso principal representante nesse campeonato. Nosso próximo
campeão de F-1, Ayrton Senna, também teve o seu momento no Mundial de Marcas.
Foi em 1984, também em Nurburgring, e já na era do Grupo C, fórmula de
consumo implementada em 1982. Fora convidado a dirigir um dos Porsche 956 da
equipe Joest, uma das mais fortes da época, com Henri Pescarolo, que acabara de
ganhar Le Mans pela quarta vez, e Stefan Johannson. O carro não se classificou
bem para a largada, em 9o. , e na corrida chegou em 8o.
Essa foi a carreira de Senna no Mundial de Marcas. O
automobilismo tem os seus lances dramáticos e inacreditáveis, e também tem
aqueles momentos de absoluta sorte. A equipe Jaguar era a primeira equipe a
realmente ameaçar a supremacia da Porsche, apesar das infrutíferas tentativas
da Lancia. Em 86 já dava indícios de que seria forte concorrente em 1987.
Entre outras coisas, Tom Walkinshaw estava procurando reforçar sua equipe de
pilotos, e pensou em contratar Bobby Rahal, piloto americano que ganhara a Indy
500 e dois campeonatos de F-Indy. Ligou para Rahal, e o convidou para um teste.
Este aceitou de muito bom gosto. Só que o interlocutor não era Bobby Rahal, e
sim, Raul Boesel, que tinha concluído duas fracas temporadas de Fórmula Indy
nos EUA. Boesel foi para a Europa, fez o teste, impressionou Walkinshaw, foi
contratado...e acabou campeão mundial, ganhando cinco corridas para a Jaguar.
História de Cinderela, não? Infelizmente, foi o ponto alto da carreira
internacional de Boesel, que na F-Indy esteve mais para Chris Amon, do que
qualquer outra coisa. Sorte ou
não sorte, o fato é que Raul correu muito bem o ano todo, e foi o mais
consistente dos pilotos da Jaguar. Nem sempre era o mais rápido, pois seu
frequente companheiro Eddie Cheever normalmente classificava o carro, e Jan
Lammers também era um pouco mais rápido nos treinos e nas corridas. Boesel
teve diversos parceiros durante o ano, que o ajudou a não dividir o título com
ninguém. Seu parceiro mais frequente foi Cheever, com o qual ganhou três
corridas. Em Jarama, a dupla se classificou em 1o. para a largada, e
chegou em terceiro, atrás de 1 Jaguar e 1 Porsche. Em Jerez, largaram em 4o.
e ganharam a corrida com três voltas de vantagem. Em Monza, Boesel correu com
Nielsen, largou em 5o., e teve o azar de rodar a poucas voltas do
final. Não foi classificado, embora tivesse concluído voltas suficientes para
chegar em 4o. lugar. Em Silvertsone, outra vitória com Cheever, após
largar em 4o. lugar. Nas 24 Horas de Le Mans, Boesel correria com
dois pilotos, Cheever e Lammers, portanto, no principal carro da Jaguar.
Largaram em 3o. e fizeram boa corrida, embora ainda fosse difícil
bater a Porsche em Le Mans. O trio
chegou em 5o. lugar. Em Norisring, outra corrida com Cheever,
chegando em 4o. lugar. O parceiro mudou em Brands Hatch, agora o
dinamarquês John Nielsen. Lammers foi mais rápido, fez a pole, a volta mais rápida,
mas no final ganharam Boesel/Nielsen. Nos
1000 km de Nurburgring, já na pista curta, Cheever/Boesel ganharam de novo, após
largar em 2o. lugar. Com este resultado, a Jaguar garantira o Mundial
de Marcas para si, algo que não acontecia desde a década de 50. Nos 1000 km de
Spa, Boesel correu com Martin Brundle e Johnny Duimfries, e ganhou a corrida,
embora largassem em 6o. Nessa corrida o pole position foi Mike
Thackwell, com o Sauber Mercedes, dando indícios de que esse carro seria forte
concorrente no futuro. Essa foi a última vitória de Boesel na temporada. Nos
1000 km de Fuji, seu parceiro foi Dumfries. A corrida foi ganha por
Lammers/Watson, também com Jaguar, e Boesel/Dunmfries chegaram em 2o.,
apesar do 10o. lugar na largada. Assim, o Brasil conseguia o título
mundial na F-1 e no Grupo C, no mesmo ano. Outro brasileiro estrearia no
campeonato em Fuji: Maurizio Sandro Sala, que correu com o japonês Osamo
Nakako, com um LM Toyota. Chegaram em 21o. lugar. Contemporâneo de
Senna no kart, Sala é um daqueles pilotos brasileiros que merecia mais de sua
carreira. Rapidíssimo nas categorias menores, nunca conseguiu chegar à F-1.
Acabou virando piloto de carros esporte, correndo muitos anos no Japão, e
eventualmente ganhando muitas corridas da série BPR, com um McLaren,
em 1995. Como era
de se esperar, Boesel não voltaria para defender seu título. Foi contratado
pela equipe Shierson, para correr na F-Indy, sem muito sucesso. Liderou o
campeonato no começo do ano, com bons resultados, mas sem vitórias terminou o
ano nas posições intermediárias. Ainda ganharia mais uma corrida de longa
distância para a Jaguar, as 24 Horas de Daytona de 1988, com Martin Brundle e
John Nielsen, que não fazia parte do campeonato mundial, e participaria da
verdadeira armada de 5 carros que a Jaguar levou a Le Mans, decidida a ganhar a
corrida. De fato, a Jaguar ganhou, mas não com Boesel. Este correu com Watson e
Pescarolo, no carro 3, que abandonou com 129 voltas devido a problemas no câmbio.
Além das participações de Boesel, Maurizio Sala voltou a correr no Japão, em
Fuji, desta vez num Porsche 962 da equipe de Vern Schuppan, tendo como
companheiro o sueco Eje Elgh. A dupla largou em 14o. lugar e chegou
em 7o. Em 1989,
o campeonato mundial de marcas vivia uma das suas melhores fases, com Jaguar,
Mercedes, Nissan, Toyota, Aston-Martin e Porsche lutando por posições. Os
grids cheios, pilotos de qualidade, o campeonato chegava a preocupar um pouco os
“donos” da F-1. Não é mistério que estes sempre desejaram o envolvimento
das fábricas naquela categoria, e, certamente, não lhes era muito agradável
ver pesos pesados como Daimler-Benz, Jaguar, e os japoneses se enamorando do
campeonato de marcas, enquanto diversos F-1 eram equipados com os onipresentes
motores Cosworth e Judd, que nada significavam para o público. Em termos de
brasileiros, Maurizio Sandro Sala participou da primeira corrida do ano
dirigindo um dos Porsches de Walter Brun, com o argentino Oscar Larrauri.
Infelizmente a dupla sul-americana só chegou em 8o. lugar, após
largar em 25o. Sala continuou a sua associação com Brun em Le Mans,
que não fazia parte do campeonato. Desta vez seus parceiros foram os austríacos
Walter Lechner e Roland Ratzenberger. Abandonaram na 50a. volta, com
problemas de pneus. Em 1990
o campeonato ainda continuava forte, mas o fim do Grupo C, fórmula baseada em
consumo e não em cilindrada, estava chegando. A FISA faria o mesmo erro feito
em 1972, quando resolveu adotar exclusivamente a motorização da F-1 no
campeonato de carros esporte. Os mais levados a conspirações podem crer que o
objetivo era realmente minar o campeonato, e fazer com que os motores 3,5 litros
dos esporte e seus fabricantes migrassem para a F-1. Se isto foi ou não
intencional, não se sabe, mas o fato é que foi exatamente isso que aconteceu.
Cabe lembrar também que a briga entre os organizadores de Le Mans, o ACO, e a
FISA, só criavam mais problemas. Le Mans era (e é) de longe o filé mignon das
corridas de carro esporte, e os organizadores do ACO tinham suas próprias idéias
em termos de regras, não se submetiam à FISA, de forma que, vira e mexe, a
corrida era excluída do campeonato. Quanto
aos brasileiros, Boesel apareceu num dos Porsches de Jochen Dauer em Monza.
Correndo com o dono da equipe, largaram em 12o. lugar e abandonaram a
prova com 65 voltas. Nessa altura o Porsche 962 já não era competitivo contra
os Mercedes, Jaguar, Nissan e
Toyota, e quem sabe por isso mesmo, Boesel decidiu continuar a sua carreira nos
EUA, em vez de arriscar a boa impressão deixada na Europa em 1987/88. E assim
chegamos a 1991, início da F-1 carenada. Embora novos construtores
tivessem sido anunciados, entre os quais, Konrad e Brun, o campeonato se iniciou
em Suzuka com somente 15 carros, muito longe dos grids cheios de dois anos
antes. O brasileiro Sala agora era piloto da Mazda, e fez dupla com David
Kennedy, chegando em 6o. lugar no primeiro round. Na segunda etapa,
em Monza, Sala fez dupla com o belga Pieere Dieudonne, e chegou em 7o.
lugar. O carro não era muito rápido, mas pelo menos, terminava as corridas. E
assim continuou a temporada de Sala. Em Silverstone chegou em 11o. e
último, com David Kennedy. Le Mans nesse ano fazia parte do campeonato, e Sala
teve como companheiros David Kennedy e Stefan Johannson, chegando em 6o.
lugar, após largar em 23o. lugar. Apesar
da presença da Peugeot, da volta do ex-campeão mundial Keke Rosberg, de novas
marcas, e da presença de futuros “stars’, inclusive Michael Schumacher,
ficava claro que o fim do Campeonato Mundial de Marcas estava próximo. Para
Sala a temporada estava relativamente boa. Em Nurburgring chegou em 5o.
lugar, com Kennedy, e em Magny-Cours, em 7o. lugar com Dieudonne.
Sala não correu no México, mas voltou a alinhar na última corrida do ano, em
Autopolis, Japão. Nessa corrida, realizada em um autódromo literalmente
escondido do mundo civilizado, e supostamente financiado pela Máfia japonesa,
Sala chegou em 9o. lugar, desta vez com o japonês Yojiro Terada. Em
termos de confiabilidade, o Mazda era o máximo. Só não era suficientemente
veloz para brigar pelas primeiras posições com o Peugeot, Jaguar e Mercedes.
Ainda assim, Sala foi o melhor colocado entre os pilotos da Mazdaspeed no
campeonato, e continuaria na equipe em 1992. Os
sinais de doença terminal, tão evidentes, foram confirmados em 1992. Se os
grids já estavam vazios em 91, em 92 ficaram patéticos, para um campeonato de
nível mundial, lembrando o mal fadado campeonato Mundial de Carros Esporte de
1977(*). Em Monza só 11 carros largaram, visto que os Porsche 962 haviam sido
categoricamente proibidos: somente carros com motores 3,5 litros eram
permitidos. Sala fez parceira com Volker Weidler, no Maxda MXR-01, largou em 7o.
e abandonou com 35 voltas, devido a problemas de motor. Só 4 carros terminaram,
lembrando os Grandes Prêmios dos anos 20, ou as primeiras corridas da F-1 de 3
litros. Apesar da presença da Toyota e da Peugeot, o campeonato perdera muito
do seu brilho, com a partida da Jaguar e da Mercedes. Nem a suposta volta de um
nome tão tradicional como a BRM parecia abrilhantar a “festa”. Em
Silverstone, Sala conseguiu o seu melhor resultado no campeonato, 2o.,
em parceira com Johnny Herbert, duas voltas atrás do vencedor O 2o.
lugar, entretanto, equivalia ao antepenúltimo lugar, visto que só 4 carros
foram classificados! Le Mans continuava firme no calendário, e por razões óbvias,
foi a corrida mais concorrida do ano: 28 carros largaram. Ainda assim, para uma
corrida que geralmente tinha 50 concorrentes, o grid era bem fraco. Só foi possível
alinhar 28 carros pela exceção de incluir os Porsches 962, que compunham boa
parte do grid, e carros esporte nacionais franceses, extremamente vagarosos. A
BRM voltou e fez feio: só completou 20 voltas. Nosso Sala chegou em 4o.,
ocupando o carro no. 5 com Weidler, Herbert e Gachot, vencedores em 1990. A
etapa de Donington Park contou com 10 carros na largada, e desta vez Sala teve
Alex Caffi como companheiro, chegando em 5o. Em Suzuka, Sala teve
como companheiros Alex Caffi e o japonês Takashi Yorino. Não tiveram muita
sorte, largando em 6o. e abandonando a corrida com problemas no câmbio.
A última
corrida do campeonato, em Magny Cours, foi a mais deprimente de todas. Somente 8
carros largaram, a única vez que isso ocorrera em um campeonato habituado com
grids cheios. E isso porque a Peugeot inscreveu 3 carros. A corrida foi curta,
de 2 horas e 44 minutos, o que possibilitou um fato inédito: todos os oito
carros terminaram! A Mazda, com Sala e Caffi, chegou em 6o. lugar mas
ninguém duvidava que era o fim. O campeonato foi cancelado em 1993, e desde então,
o circo dos carros esporte vaga mundo afora, mudando de campeonatos,
organizadores e regras, como se muda de roupa . A Peugeot, Jaguar, Mercedes e
Toyota acabaram na F-1 (embora a primeira já tenha pulado fora). A idéia de
fazer um campeonato com GTs foi inicialmente bem recebida, na série BPR, mas
esta foi logo desvirtuada com carros que não passavam de carros do grupo C.
Durante a fase GT, dois brasileiros se sobressairam: Maurizio Sandro Sala, que
ganhou cinco corridas em dupla com Ray Bellm, dirigindo o McLaren F1 em 1995; e
Ricardo Zonta foi contratado pela Mercedes, dirigindo o grupo C travestido de GT
(o CLK), no campeonato de 1998. Zonta fez dupla com Klaus Ludwig, e ganhou cinco
corridas. Diversos outros brasileiros participaram dos campeonatos que substituíram
o Mundial de Marcas, inclusive Antonio Hermann, Andre Lara Resende, Flavio
Trindade, Regis Schuch, Nelson Piquet e Thomas Erdos. Mas isto é assunto para
outro artigo.
(*) Em
1976 a FISA teve uma das suas verdadeiras idéias de jerico. Pegaram o
Campeonato Mundial de Marcas, que já dava sinais de fraqueza, e em vez de
fortalecê-lo, dividiu-o em dois: um campeonato para Grupo 5 (Silhouette, que
continuou sendo chamado Campeonato Mundial de Marcas) e outro para Grupo 6 (protótipos),
Chamado Campeonato Mundial de Esporte Protótipo.. No primeiro ano, os dois
campeonatos até foram interessantes, com a briga da Porsche com BMW no Grupo 5,
e com a Alpine-Renault lutando com a Porsche no Grupo 6. Em 77, tanto a Porsche
quanto a Alpine não participaram do Campeonato Mundial de Esporte-Protótipo, e
a única fábrica a fazê-lo foi a Alfa-Romeo. Em duas corridas, no Estoril, e
em Salzburgring, os grids tinham só oito carros, e só porque a Alfa-Romeo
apareceu com três carros(a história se repetiria mais tarde com a Peugeot). No
ano seguinte o nome do campeonato foi mudado para Campeonato Europeu de
Esporte-Protótipo.
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