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Lembre-se sempre de dizer que viu na Brazilian Yellow Pages.
A (QUASE)
ÚLTIMA VITÓRIA DE CAMILO CHRISTÓFARO Por
Carlos de Paula Camilo
Christófaro foi um dos mais populares pilotos brasileiros dos anos 50 e 60.
Sobrinho de Chico Landi e mecânico por profissão, não podia dar outra: Camilo
acabou virando piloto, obtendo muito sucesso em Interlagos com uma grande
variedade de carros, desde FNMs JK até ex Maseratis de F-1 equipadas com motor
Corvette, os temíveis Mecânica
Continental. Sua carretera número 18 (na última versão) é um dos carros
mais lembrados e amados do automobilismo brasileiro, certamente a mais popular carretera,
correndo até 1971. Carretera
18 - Presença marcante nos anos 60 até 71 No começo
dos anos 70, o automobilismo nacional mudara e já não havia lugar para as
carreteras. A 18 tornara-se anacrônica, além de proibida, visto que era
equipada com motor Chevrolet Corvette americano. Assim que em 72 Camilo adquiriu
um protótipo Fúria, equipando-o com motor Chrysler, correndo com esse carro na
Divisão 4 em 1972
e 73. Nesse último
ano lançara-se a Divisão 1, com provas de longa duração e carros com
reduzido preparo, e também foi lançado o Ford Maverick V-8. Grande amante dos
V-8, Camilo logo se entusiasmou com o modelo e a categoria. Nos anos seguintes,
participaria de diversas corridas de Divisão 1 e 3, com Mavericks preparados
pela Escuderia Lobo. Em 1975
a Divisão 1 estava em franca expansão. As 25 Horas de Interlagos não foram
realizadas naquele ano, decidindo-se realizar uma prova mais curta, as 500
Milhas de Interlagos. Como as 25 Horas, a prova também fora organizada pelo
Avallone Motor Clube, de Antonio Carlos Avallone, e seria realizada na pista
completa de Interlagos. Nessa época, a maioria das provas de Interlagos contava
com a experiente equipe Sget’s de cronometragem, mas nessa prova estrearia uma
nova equipe, a Racing Crono. A
Equipe Tecnomotor teve forte presença na Divisão 1 em 1975. Aqui Beto Monteiro,
em Brasilia Entretanto,
a prova foi vítima de uma série de confusões, algumas inevitáveis, como a
climática. Apesar de 71 carros inscritos, a principal equipe da Divisão 1, a
punida Mercantil-Finasa, na qual corria José Carlos Pace, não participaria da
corrida embora contasse com a autorização da CBA. Depois, choveu nos treinos
de classificação. A maioria dos carros foi para a pista molhada, marcando
tempos altíssimos, mas quase no final dos treinos parara de chover e a pista
começava a secar. O esperto piloto paranaense Edson Graczyk ficara com seu
Opala da equipe Tecnomotor parado nos boxes enquanto chovia. Quando parou de
chover, e a pista começou a secar, Graczyk prontamente foi para a pista e
marcou a pole position em 4’10”1, com certa facilidade. Em segundo ficou
outro Opala de Sergio Carvalho, que não era habituée das primeiras posições,
e em terceiro Camilo Christófaro, o primeiro com Maverick. O primeiro Passat,
de Alberto Ferreira e Rafael da Luz, marcara o 9°
tempo, na frente de diversos carros da Classe C, com 4’15”08, dando uma idéia
da aparência inusitada do grid. O
Maverick 18 dos Camilos Cabe
lembrar que nessa época os Maverick simplesmente acabavam com os Opalas nas
provas de Divisão 1. A única grande vitória do Opala fora nas 25 Horas de 1974,
e os produtos da Ford ganharam todas as outras provas. Assim que a pole de um
Opala fez bastante surpresa, e por que não, até mesmo o 3°
de Camilo surpreendeu. Este correria em parceira com seu filho Camilo Christófaro
Júnior, certamente realizando um sonho ao largar em tão boa posição, junto
com o filho. Todo pai cujos filhos correm certamente sonham em correr em dupla,
e porque não, ganhar corridas com os rebentos. Os casos são inúmeros não só
no automobilismo brasileiro, como internacional. As 500
Milhas foram transmitidas na TV e a Itacolomy, concessionária Chevrolet, estava
oferecendo prêmios para os primeiros, segundos e terceiros colocados com carros
da marca, tanto na classe C (Opala) como na A (Chevette). O automobilismo
brasileiro dava sinais de evolução nessa época, apesar das pisadas na bola,
como veremos a seguir. No
domingo acabou não chovendo, e Camilo Christófaro fez a melhor largada, diga-se
de passagem dentro do horário programado, pulando diretamente para a primeira
posição. Não só Camilo largou melhor, como começou a abrir distância do
segundo colocado Graczyk. Era o Camilo de antigamente, que após 40 minutos de
prova, já tinha 23 segundos de diferença sobre o segundo colocado, Arthur
Bragantini. Com uma hora de prova, Camilo entrou nos boxes para reabastecer e
passar a direção do Maverick número 18 a seu filho, que logo voltou à ponta.
Júnior não só manteve a primeira posição, como expandia a diferença em
relação aos segundos colocados. Parecia certo que a dupla de Camilos ganharia
a prova. Infelizmente, o destino foi outro. Mavericks
brigando Posteriormente,
Camilo pai confessou, em uma versão, que muito lhe emocionou a possibilidade de
ganhar uma prova em dupla com o filho, e acabou fazendo uma rara burrada. Em
outra explicação, disse que foi brincar com Toco, seu amigo de muitos anos,
fazendo alguns sinais. Distraiu-se e acabou batendo. Apesar de ter ganho inúmeras
disputas em duas décadas, inclusive as Mil Milhas Brasileiras de 1966,
Camilo nunca ganhara uma prova com o filho, e há algum tempo estava em jejum de
vitórias importantes. Seja a emoção ou brincadeira que lhe fez perder a
concentração na volta 59, o sonho dos Camilos terminou em abandono na Curva do
Sul. Disse a um repórter “Pode escrever aí que eu sou um salame. Dei uma
bobeada. Há vinte anos que corro e hoje aprendi mais uma”. Infelizmente,
nunca mais Camilo teve a mesma oportunidade de ser tão competitivo em uma
corrida. Após o
abandono de Camilo, a tal equipe Racing Crono simplesmente perdeu o controle da
corrida. Na realidade, a única certeza que tinham era de que os Camilos
lideravam, e quando estes abandonaram, nem sabiam quem era o líder, tampouco
quem ocupava as outras posições. Passaram então a proibir a entrada dos
jornalistas na torre de cronometragem, para encobrir sua inépcia. A imprensa,
dando cobertura televisiva, não sabia o que dizer ao público, e passou a
recorrer aos mapas de corrida extra-oficiais, preparados por algumas equipes,
como Chico Landi, Itacolomy, Sonnervig-Vicsa e Manah. Estes apontavam Aloysio/Cesar
em primeiro, seguidos de Campello, Bragantini, Graczyk e Marinho Amaral. O clima
foi ficando pesado, e o organizador Antonio Carlos Avallone começou a sofrer
todos os tipos de pressão, dentre outros do presidente da CBA, Charles Naccache,
que estava presente na pista. Após a divulgação dos resultados oficiais,
depois de 6 horas de corrida, ocorreu o inevitável: uma enxurrada de protestos.
Reynaldo Campello/Marivaldo Fernandes, da Itacolomy, achavam que eram os
vencedores, mas Aloysio/Cesar e Graczyk/Carpes também achavam. Resultado: os
mapas de corrida tiveram de ser completamente revisados até as 2 horas da manhã,
e a divulgação oficial dos vencedores ocorreu
longos 15 dias depois: Aloysio Andrade Filho e Ricardo Lenz Cesar, com
Maverick na classe C, e Francisco Artigas/Eduardo Dória com Passat na Classe A.
Edson Graczyk e Oswaldo Carpes foram o Opala melhor colocado, em 4°
na geral, mas acabaram desclassificados por estarem abaixo do peso. Os Opalas da
Itacolomy também acabaram desclassificados, e no final foram Júlio e Marcos
Tedesco que levaram os Cr$5.000 da Itacolomy. A desclassificação de Graczyk/Carpes
e Campello/Marivaldo se deu a um erro da própria GM, que não havia atualizado
o peso dos carros na homologação junto à CBA. Como os Opala estavam saindo da
fábrica menos pesados, por usarem componentes mais leves, e o peso indicado na
homologação era o antigo, os comissários acabaram desclassificando esses
Opalas. Os mais
supersticiosos diriam que foi praga do Camilo! Resultado
Oficial Final das 500 Milhas de Interlagos de 1975: Classe C
e Geral 1.
Aloysio Andrade Filho/Ricardo Lenz Cesar – Maverick n°
28 – 92 voltas 2. Artur
Bragantini/Tite Catapani – Maverick n°
26 – 92 voltas 3.
Marinho Amaral/Manoel Jesus Ferreira – Maverick n°
29 – 92 voltas 4. Júlio
Tedesco/Marcos Tedesco – Opala n°
3 – 91 voltas 5. Celso
Frare/Carlos Andrade – Opala n°
5 - 91 voltas Classe A 1.
Francisco Artigas/Eduardo Doria – Passat (10°
na geral) 2.
Alberto Ferreira/Rafael da Luz – Passat 3. Otto
Carvalhaes/Alexandre Negrão – Passat 4.
Carlos Amaral/Glen Henrique – Passat 5.
Charles Marzanasco/Charles Marzanasco Filho - Passat
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